Gestação do coração · Minha adoção · Sem categoria · Wesley

O filho ideal

Oi, pessoal!

Eu já falei aqui sobre como idealizo minha maternagem. Hoje eu vou contar como idealizo meu filho ou filha – só por diversão. Sabe assim, quando você fecha os olhos e imagina? Então, é isso.

O primeiro ponto acho que é esse, eu ,genuinamente, não tenho preferência por sexo. Quando imagino meu filhx – e isso acontece o tempo todo – às vezes visualizo um menino outras uma menina. Acho que porque, no fundo, quero poder ser mãe de um casal. Ou talvez porque não sou a favor de limitar a criança em “coisas de menino” e “coisas de menina”. Embora a ideia de comprar vestidos e lacinhos pareça mais divertida, não ouso limitar a maternidade a isso.

Essa imprecisão do meu desejo só me incomoda porque uma amiga uma vez me disse (não sei se é relevante dizer que ela é budista) para todo dia de manhã, assim que eu acordar, no meu primeiro pensamento do dia, visualizar o filhx que quero ter da maneira que desejo e com riqueza de detalhes, por exemplo, imaginar em quanto tempo vai chegar, onde, a idade do bebê, o sexo, etc. Claro que escolhi um determinado perfil e tal, mas é para imaginar o meu desejo mais puro e sincero.  Já falei que sou uma pessoa bastante cética, exceto quando o assunto é minha adoção. Aí eu acredito em tudo.  Mas não consegui fazer esse exercício nenhuma única vez, porque se começo visualizando um menino, já logo penso, mas se for menina também vai ser ótimo e vice-versa e aí não consigo me decidir e o momento passa e pronto.

Mas tirando isso, meu filho ou filha ideal :

  • gosta de ler e ouvir histórias;
  • faz baguncinha na medida certa, sem ser malcriadx, mas que dê muita vida para nossa casa;
  • é educadx e respeitosx;
  • gosta de animais;
  • ama mais a mamãe do que o papai (rsrs);
  • independente, mas carinhosx e não reclama dos meus beijinhos e abraços.

Gente, claro que isso é só uma brincadeira. Tenho certeza que um dos grandes desafios da maternidade / paternidade é aprender a amar outro ser com todos os defeitos e qualidades e deve ser maravilhoso poder conhecer seu filho ou filha com o passar do tempo.

Mas eu juro que se eu fechar os olhos eu consigo senti-lx aqui.

Vocês já pensaram sobre isso? Como imaginam ou imaginaram seus filhos?

Abraços e até mais!

“Cada dia mais perto.”

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Sentença

Gente! Que maravilha!

Foi dada a sentença pela juíza: Sentença – Julgado procedente o pedido.

Que palavras mágicas, embora tão frias. Podia ser algo do tipo: Sentença – Vocês conseguiram! É tetraaaaaaaaaa!

Falta pouco, pessoal!

Cada dia mais perto!

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Para a menina dos meus sonhos

Essa noite e pela primeira vez eu sonhei com você. Primeira de muitas vezes, tenho certeza. Sonhei com o dia do nosso encontro.

Essa noite eu sonhei que você se chamava Isabela, de 3 ou 4 anos, pele morena e cabelos negros e ondulados.

Essa noite eu vi seu rosto pela primeira vez. Rosto esse que vai mudar mais mil vezes até se tornar real.

Essa noite eu te tive em meus braços, brinquei e conversei com você. Ouvi sua voz e senti seu abraço.

Essa noite eu amei Isabela, de 3 ou 4 anos, pele morena e cabelos negros e ondulados.

Essa noite, filhx, eu amei você.

Pela manhã, meu coração estava aquecido e comecei o dia com uma leveza e paz de espírito que há muito não sentia, porque apesar de ter sido só um sonho eu sei que esse vai se tornar realidade.

Obrigada por (já) me fazer sentir tão bem.

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Carta para Wesley – Enquanto você não vem.

Filhx,

Tudo o que me faz pensar em você, me emociona, me faz chorar. E não são poucas as coisas que levam meu pensamento até você.

É muito louco isso. Freud deve explicar.Não faço ideia de como você é ou vai ser… nem ao menos sei se você é ou se ainda vai ser. Mas juro que já te amo. Talvez ame a ideia de você. E a ideia de quem vou ser com você. Imagino as traquinagens, as crises de choro, de riso, malcriações e gracinhas. Embora saiba que a realidade tende a ser mais dura, meu pensamento voa longe, imaginando eu e você. Eu, seu pai, você … e o Thor.

Penso em você quando ouço uma música e acho que nela tem muita coisa que eu gostaria de te dizer. Fico imaginando onde você está agora. E qual vai ser a sua história até que se torne a nossa história. Quais caminhos você vai ter de cruzar, quais as dores você vai sentir e o que vai fazer você sorrir até a gente se encontrar.

Penso tanto no nosso encontro. Onde eu vou estar quando eu receber a ligação que vai mudar nossas vidas? Eu vou estar preparada? Vou chorar? Vou ter de sair correndo ou vou ter de lidar com a ansiedade de mais alguns dias de espera? Será que os sinos vão tocar? Vai ser amor à primeira vista? Você vai sorrir ou chorar ao me ver?

Também penso em você quando me deparo com essas situações tão intensamente tristes que, infelizmente, fazem parte do nosso cotidiano. Penso em como vai ser difícil te apresentar a essa parte tão feia do mundo. Tudo aquilo que é tão difícil de explicar. Explicar como é difícil enxergar as coisas simples da vida – que são as mais belas – porque o mundo é tão, tão feio. Quero te ensinar a reconhecer a felicidade. Um dia quero te ensinar a dar valor a essas pequenas coisas, esses pequenos momentos, tudo o que realmente importa, mas sem deixar de se importar com o sofrimento alheio.

Penso em seu rosto, seus olhos, seus cabelos e sua voz. Agora entendo o conceito de Amor Incondicional, porque, na verdade nada disso vai importar. Já não importa. Porque eu já te espero, já te amo. Anseio pelos dias que passaremos juntos. Os bons e os ruins.

Em suma, eu só quero que você saiba, quando você chegar, que você foi muito amado e muito desejado. Acredite que já tem pessoas nesse mundo que amam muito você.

Acredito que já está escrito nas estrelas. Precisamos ter paciência, porque talvez o caminho seja um pouco turbulento, mas estamos destinados um ao outro. Aguenta firme. Te amo.

Com muito amor,

mamãe.

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Nossos destinos

Vem a ansiedade. E pra apaziguar faço planos, listas mentais. Mas pelo menos ainda estou ocupada em juntar a papelada, ainda tenho o que fazer. Imagino como deve ser simplesmente ESPERAR.

Neste processo também vêm as inseguranças e incertezas: estou sempre me auto-analisando. Vou ser uma boa mãe? O que eu tenho (materialmente) vai ser o suficiente para meu filho/a neste mundo tão competitivo? Estou pronta pra virar meu mundo tão livre de rotinas de cabeça para baixo? Aham. Acho que sim! E, além do mais, só tem uma maneira de descobrir.

Mas o que acalma a ansiedade é pensar que talvez meu filho/a já esteja por aí, nesse Brasilzão, talvez esteja chegando agora no mundo, talvez ainda nem tenha “estreado”. Mas nossos caminhos vão se cruzar lá na frente. Por enquanto eu estou aqui com minhas paranoias, me preparando para recebê-lo/a da melhor maneira possível. Já criando um sentimento único, de amor, especialmente para ele/a. E ele/a está vivendo ou prestes a viver o que Deus reservou para ele/a. Se eu pudesse eu não deixaria nada de ruim acontecer, mas o destino é implacável.

É reconfortante pensar que nossas vidas estão prestes a se cruzar – questão de meses, talvez de anos, não importa o tempo de espera porque vai ser eterno. O destino é implacável!

“O universo conspira a nosso favor
A consequência do destino é o amor” 
(Nando Reis e Roberta Campos)

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No GAA

Voltei para contar mais sobre minha experiência até agora no GAA.

Fui em duas reuniões, uma em Dezembro e outra este mês. Já cumpri a exigência da Vara, pois participei do Encontro Estadual dos GAAs/RJ e isso valeu como presença. Mas pretendo continuar participando destas reuniões.

Lá encontramos pessoas que estão passando pelo mesmo processo e também pessoas que já alcançaram seus objetivos. É muito bom para tirarmos dúvidas, abrirmos o coração e a cabeça para novas experiências e histórias de vida.

Agora estamos prontos para o próximo passo, que é entrar, de fato, com o processo de habilitação. É uma etapa muito burocrática, tem uma longa lista de documentos, mas é claro que é necessário. Nós entendemos, mas a ansiedade é grande. Neste sentido, os Grupo de Apoio são mesmo ótimos, pois encontramos muitas pessoas que já passaram por isso e podem nos dar dicas e conselhos.

Também na etapa de habilitação passaremos pelas “temidas” entrevistas. rsrs Ser avaliado sempre nos deixa nervosos. Mas, de certo modo, acho que todo mundo deveria passar por uma habilitação para se tornar pai/mãe, né? Biológicos e adotivos. A maternidade/paternidade não é mesmo pra qualquer um. rsrs. Então, teremos a entrevista com a psicóloga e depois com a assistente social. Vai ser aquela correria! Tô até vendo…rsrs A casa vai ficar um brinco.  No GAA ouvi histórias assustadoras de assistentes sociais malvadas, mas no grupo virtual as histórias são maravilhosas, de profissionais tranquilos. Vamos ver, né gente. É muita ansiedade. É um jeito único de vivenciar uma gestação e, particularmente acho que devemos curtir cada etapa. Por mais burocrática e impessoal que pareça. É isso, gente.

Até a próxima!!!

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Grupos de Apoio à Adoção

Como disse no post anterior, estamos no início do processo. Hoje recebi uma notícia muito boa: foi marcada a primeira reunião no grupo de apoio à adoção. Fiquei muito feliz e ansiosa. Incrível como qualquer novidade neste processo já nos deixa feliz! rsrs

Fomos na Vara em Agosto participar de uma reunião informativa, foi bem legal. Eu já sabia de muita coisa, por causa da pesquisa que fiz durante a faculdade, mas sempre tem alguma novidade. E o principal foi que tudo se tornou mais real. Nós vamos realmente fazer isso!?!!? Frio na barriga, mas muita alegria também. Aí quando liguei para agendar a reunião, o primeiro balde de água fria. Só tinha vaga para Dezembro e mesmo assim ainda não podiam informar  a data e o horário. Ansiedade diminuiu, pensei: “Ai, isso vai demorar mesmo”.

Então hoje decidi ligar pra lá pra saber como estava o andamento (já que eles tinham ficado de me ligar quando soubessem a data). E nossos nomes já estavam lá: dia 16 de Dezembro. Ai, que felicidade! A ansiedade voltou… rsrs… Mas acho que tenho que me acostumar com este sentimento. E pelo visto eu tenho que ficar no pé deles! Será que eles esqueceram de me ligar?

Bem, depois eu volto pra contar como foi lá!

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A decisão

Como já disse aqui antes, a vontade de adotar surgiu já há alguns anos e foi sendo amadurecida junto comigo e com o meu relacionamento (que hoje passa dos 8 anos). Isso significa que a vontade meio que sempre existiu! Pra mim e pro meu companheiro! Ninguém convenceu ninguém. Foi quase uma epifania coletiva (rsrs). Ainda durante o namoro alguém levantou a bola: ” A gente podia adotar, né?” E pronto, foi assim! Comecei a pesquisar sobre o assunto alucinadamente e esse se tornou meu objeto de estudo.

A partir daí, virou fato!  Já falávamos para a família e para os amigos (quando a pergunta surgia), mas, francamente, acho que não nos levaram muito à sério. Sempre vinha o discurso: “Ah! Vocês falam isso agora que são novos. Depois vocês mudam de ideia.” Não mudamos. Nos casamos e não mudamos. Pelo contrário, sempre que planejávamos o futuro em comum vinha em mente o processo de adoção. Não a gravidez, mas a espera na fila. Não o rompimento da bolsa, mas o recebimento da ligação (A ligação!).Não a ida à maternidade, mas a ida à Vara da Infância. Começamos a imaginar como seria nosso filho, de brincadeira o batizamos Wesley.  Pronto! Nosso filho já tinha nome. (de brincadeira, claro! Pode ser Wesley, João, Pedro, Maria, Stephanie, etc…)

Agora, a decisão de iniciar, de fato, o processo veio muito recentemente. Depois de um acontecimento que mexeu muito conosco decidimos não esperar mais! Estamos sempre procrastinando: “Depois do aumento…”, “Depois da mudança…”, “Depois da casa própria…” , ” Depois da faculdade, da pós, do mestrado…”, ” Depois dos 30…” Não! Agora! E menos de um mês depois começamos o processo de habilitação que, sim, é longo, demorado, burocrático, mas o primeiro passo foi dado!