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Sobre a Renovação – Parte I

Olá, pessoas!

Saudades daqui, saudades de falar com vocês!

Trago novidades. Boas, dessa vez.

Eu e meu marido finalmente fomos na Vara para dar entrada na renovação da habilitação. Não conseguimos. rs Vocês já sabem como é a burocracia, né?

Pegamos o formulário para fazer o pedido da renovação, mas também vai ser preciso apresentar novamente os atestados de saúde física e mental e as certidões negativas de antecedentes criminais. Aqui no Rio não servem aquelas disponíveis na internet, é preciso ir na Central de Distribuição Cível, pegar as 8 certidões. E elas demoram sete dias úteis para ficarem prontas.

Eu estava super ansiosa, mas acaba que já estamos no limite do prazo. A assistente social explicou que devemos entregar os documentos até o dia 19 de maio, quando terminam nossos dois anos de validade da habilitação, para que a gente permaneça inscrito no Cadastro. Mas o processo de entrevistas pode e deve acontecer depois. Por mim tudo bem porque eu já perdi a pressa. A gente deve voltar lá semana que vem ou quando as certidões ficarem prontas.

Agora minha preocupação é em relação ao atestado médico. Será que tenho saúde física? Será que algum médico vai querer atestar isso? E ainda, durante as entrevistas, será que a equipe da Vara vai me achar capaz de ser mãe nas condições atuais? Nem eu tenho certeza disso mais. Muitas dúvidas e medos habitam meu pensamento.

Logo eu que só tinha certezas, agora sou toda insegurança.

Mas o que tiver de ser, será. Está escrito!

Abraços e até mais!

Cada dia mais perto.

 

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Nova Lei

Oi, pessoas!

Provável, muito provável que todos já saibam disso. Mas me sinto na quase obrigação de vir aqui falar que o fora Temer assinou a lei 13 509 de 2017 que modifica o ECA no que se refere a adoção (rolaram uns vetinhos, mas tudo bem. rs). Quando a gente achava que 2017 não ia dar mais em nada, né?

Para ver na íntegra, leia aqui. 

De novidade boa o que tem?

  • Tem prazos bem definidos para que os processos andem e que as crianças passem o menor período possível sem convivência familiar (adotiva ou biológica, desde que saudável e feliz);
  • Essa lei também regulamenta alguns pontos do apadrinhamento afetivo;
  • E reforça que o bem-estar da criança é prioridade e responsabilidade do Estado e da sociedade.

Quanto aos prazos, achei ponto alto:

§ 10.  O prazo máximo para conclusão da ação de adoção será de 120 (cento e vinte) dias, prorrogável uma única vez por igual período, mediante decisão fundamentada da autoridade judiciária.

Mas tem muitas outras coisas boas.

 

E quem tem preguiça de ler lei, tem essa matéria da grande mídia! (E um monte de outras pela internet afora).

E agora o que falta?

Falta cumprir a lei! A prática tá distante da teoria, mas já é um começo, né? Tô otimista hoje! rs

A notícia é boa para gestantes do coração, mas é melhor ainda para as crianças do Brasil – como deve ser!

Até semana que vem!

Abraços!

Cada dia mais perto!

 

Habilitação

Mudar o perfil ?

Oi, pessoal!

Vocês sabem que eu já me dei por vencida , minha expectativa agora é com a renovação da habilitação.

Assim que nos habilitamos, eu e meu marido concordamos que caso fossemos mudar o perfil da criança, faríamos isso no momento da renovação.

E está se aproximando! Minha contagem regressiva está em 4 meses. Rs.

Vocês também sabem do nosso perfil, que é bastante restrito quanto a idade, o que em termos práticos significa que nossa vez vai demorar. (Com sorte e esperança, não muito além dos dois anos) .

Com tudo isso , chegou a hora de releftir sobre isso. Mas, por enquanto, a resposta ainda é não. Não pretendemos mudar o perfil.

Primeiramente porque ainda sinto a necessidade de ter um bebê, com tudo o que tem direito. Sonho em ver um berço no quartinho, mamadeiras espalhadas pela casa, trocas de fraldas , cheirinho de bebê. Pacote completo .

Em segundo lugar, ainda estamos dentro do tempo esperado para nosso perfil. Não está fora do normal. Claro que eu queria que chegasse agora, às vezes acho que já cheguei no meu limite. Mas a realidade é essa e não é nenhuma surpresa. Ninguém disse que ia ser rápido.

Sinceramente não sei o que vou pensar, se vou mudar de opinião se nada acontecer em um ano ou dois. Pra ser sincera não gosto nem de pensar na possibilidade de eu chegar no fim do próximo ano sem meu filho por aqui. Mas também não acho motivo suficiente, por enquanto, pelo menos, tomar essa decisão com base apenas no tempo de espera. Mas cada um sabe o que é melhor pra si.

Enfim esses são os principais motivos pelos quais decidimos manter o perfil escolhido, por ora.

Outra coisa boa que estou na expectativa é quando completar dois anos, ou quase, vou começar a planejar o quarto de verdade ! Começar a escolher as coisinhas… Mal posso esperar ! Mas isso é assunto pra outro dia.

Me digam o que vocês acham sobre mudança de perfil !

Abraços e até mais.

Cada dia mais perto.

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Diário do Bebê (do coração)

Olá, pessoal!

Eu adoro guardar recordações, fazer diários, ter álbuns de foto (impressa mesmo!).  Eu tenho uma espécie de diário da habilitação, onde guardo datas, comprovantes, fotos e pensamentos desse processo. Falei um pouco dele aqui e também tem um post lá no Instagram do blog (@sobreadocao).

Seguindo essa tendência, tenho certeza que vou gostar de registrar o desenvolvimento do meu bebê e então comecei a procurar aqueles diários de bebê pra comprar logo. rs. Mas aí me dei conta que ia acabar deixando bastante coisa em branco. É bem pouco provável que eu saiba peso e tamanho ao nascer; talvez não saiba o dia do primeiro passo, entre outros marcos do desenvolvimento.

Então resolvi fazer um diário do bebê personalizado.

capa diário bebe

Decorei de elefantinho e coloquei os marcos da adoção. Por exemplo, além de colocar a data de nascimento, incluí a data do encontro. Também quero preencher com o tempo de espera e dia da conclusão da adoção.

diario bebe imagem

Quanto às primeiras vezes, coloquei de maneira que seja a primeira vez de tal conquista depois da chegada. Por exemplo, quem deu o primeiro banho, depois da adoção. Ou para onde foi o primeiro passeio em família.

Também deixei espaço para fotos e para escrever relatos!

Fiz de acordo com meu perfil , com o que achei adequado. Como disse, é bem provável que eu não tenha algumas informações, então as deixei de fora. Mas ainda não imprimi, pois tem algumas coisas que posso deixar ainda mais personalizadas depois que souber a idade.

Além de ter gostado bastante do resultado, também foi uma ótima atividade para passar o tempo, de maneira a me sentir próxima do meu/minha filho(a). É muito bom fazer as coisas para quem amamos!

Espero que tenham gostado!

Vejo vocês na próxima.

“Cada dia mais perto.”

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Sobre ser especialista

Oi, gente!

Quero ver se alguém aí se identifica.

O processo de adoção costuma demorar alguns anos. Comigo aconteceu assim e imagino que com outras pessoas deve ter sido parecido. Primeiro, a gente pensa que adotar pode ser uma boa ideia, independente do motivo. Aí começamos a pesquisar o assunto. Quando tomamos a decisão, começamos a frequentar 543 reuniões e palestras. Em seguida, nesses tempos de internet, buscamos apoio também em redes sociais e blogs 😉 Depois de habilitados, lemos tudo quanto é notícia, levantamos altas discussões, analisamos casos de sucesso e de fracasso. No final das contas, passamos anos mergulhadas (os) nesse mundo.

Geralmente, depois de tanto tempo, começamos a contar para algumas (ou muitas) pessoas que vamos adotar. E aí acontece! A gente vira especialista em adoção.

De vez em quando alguém do meu círculo social me procura para fazer perguntas sobre adoção. Geralmente é aquela história do amigo de um amigo meu, a vizinha da cunhada do fulano de tal etc. E 80% das vezes é uma história complicada de alguém que acha que pode sair por aí adotando criança porque tem uma amiga que trabalha em hospital ou que conhece uma moça grávida que não tem condições de criar o bebê. Aí lá vou eu explicar que adoção não é bagunça. rs. Mas de vez em quando é só uma dúvida sobre o processo mesmo.

Outra coisa que sempre acontece, as pessoas vêem uma matéria no jornal nacional sobre adoção. Aí já vem puxar assunto “lembrei de você”, dizem. Nesse caso, geralmente, as pessoas descobrem a pólvora, e vem falar sobre como tem mais adulto para adotar do que criança e que o problema é que os pretendentes não querem adotar crianças mais velhas (zzzzzz).

E por último, comigo aconteceu duas vezes, as pessoas querem te “oferecer” criança. Sabe a moça que não tem condições de criar o bebê? Então, por que você não fica? Porque não é assim que funciona. Tem um monte de gente na fila, e assim é bom que a fila anda mais rápido pra mim também. rs.

Mas eu não reclamo não, sabem? Porque pra mim qualquer oportunidade de ministrar uma aula sobre minha opinião quanto à adoção, eu aceito de bom grado. Adoro. Explico tudinho. Exceto quando são falas de pessoas preconceituosas que não fazem parte da minha vida, aí só sorrio e aceno. Tirando isso, dou aula mesmo.

Porque depois de tantos anos, é normal que as pessoas nos tenham como referência no assunto e nos achem especialistas. E no final das contas, a gente meio que é mesmo. rsrs.

Até a próxima!

Cada dia mais perto.

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Novo Cadastro Nacional da Adoção

Oi, pessoas!

Enfim está sendo implementado o novo CNA. Já aprovadas as alterações, o novo cadastro está sendo construído e em breve começarão os treinamentos dos servidores e juízes.

As principais mudanças incluem:

  • a unificação dos cadastro de adoção com o cadastro de crianças acolhidas;
  • a inclusão de fotos, vídeos, cartas e desenhos das crianças; (que amor!)
  • informações dos relatórios social e psicológico dos pretendentes também serão incluídos no sistema;
  • o sistema fará buscas automáticas diariamente;
  • as crianças e adolescentes poderão ser incluídos no cadastro apenas com liminar que autorize adoção e não necessariamente após a destituição do poder familiar.

Para saber mais detalhes, acessem o site do Conselho Nacional de Justiça.

O que acharam das mudanças?

Até a próxima!

Cada dia mais perto.

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Eu e meu telefone

Fato: Para o meu perfil a espera vai passar dos dois anos (e espero que não passe de 4 anos).

Apesar de saber bem disso, TODA vez que meu telefone toca, meu coração bate mais forte, minha cabeça faz uma viagem só de ida para o momento do encontro, meus olhos se enchem d´água.

Cada ligação perdida é um desespero. Me vem logo na lembrança a assistente social ou psicóloga ou sei lá, na reunião da Vara dizendo “porque se a gente não conseguir falar na hora, a gente já liga para o próximo da fila.”

No entanto é sempre o Banco ou a Operadora de telefone me ligando para oferecer alguma coisa que eu não quero. Porque, né? Em tempos de whatsapp nem ligação da mãe a gente recebe. rs.

Mas apesar das estatísticas estarem contra, vou continuar tendo esperança a cada ligação. Vai que dá certo.

Até mais!

Cada dia mais perto.

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Sobre minha visita à Vara

Olá!!

Essa semana fomos a vara da infância para atualizar nossos telefones.  Como já disse, minha intenção era aproveitar para tirar algumas dúvidas. Bem, na verdade, não era bem dúvida, mas para saber nossa colocação aproximada na fila.

Ao contrário do dia das entrevistas, o setor de serviço social e psicologia estava bem cheio. Conseguimos falar com um homem, que parecia estar fazendo algum tipo de triagem, o motivo da nossa visita. Ele deu um papel pra gente preencher. Achei que não ia conseguir nada além disso. Estava bem tumultuado o local. Mas na hora de entregar o papel, meu marido perguntou se a nossa Assistente Social estava e o homem foi chamá-la. 😀

Ela sempre muito simpática, reconheceu a gente e pudemos conversar rapidinho.  Falamos o porquê de irmos até lá e então, ela pegou nossa ficha antiga e confirmou os dados. Depois perguntamos sobre as tais 13 adoções do ano passado. rs. Ela explicou que isso acontece porque a maioria dos juízes apenas suspende o poder familiar, dificilmente destituem antes de colocar a criança em uma família, e o sistema do CNA não aceita o cadastro quando o poder familiar está suspenso, apenas quando há destituição.

Também perguntamos sobre a renovação da habilitação e ela disse que o ideal é dar entrada em torno de dois meses antes de expirar a validade. No nosso caso, fevereiro ou março do ano de 2018. E então, ela disse que já estão valendo os 3 anos de validade da habilitação, ou seja, quem se habilita hoje fica habilitado por 3 anos (eu só não sei se isso só vale para essa vara ou para todas).  Além disso, eles estão montando um projeto para que a cada ano os habilitados sejam chamados à vara para uma reunião em que serão passados dados e estatísticas para acalmar os corações. rs.

Por último fizemos A pergunta que não quer calar, qual nossa colocação aproximada na fila, mas a resposta foi a de sempre. Elas sempre dizem que não tem como, que o sistema não ajuda e que simular é inviável porque são muitas as variáveis. Repetiu que para crianças pequenas, a probabilidade é que passe de dois anos. Ou seja, nenhuma informação nova.

Enfim, a conversa foi rápida, mas fomos bem recebidos mais uma vez. Tirando a parte chata de nunca sabermos a colocação aproximada, não tenho o que reclamar da equipe. Dia 12 de abril completamos 1 ano da sentença, ou seja, um ano de fila, e foi bom ter esse contato. Na verdade é um sentimento um tanto quanto ambíguo, talvez controverso, de me sentir bem por me fazer presente, mas ao mesmo tempo bateu uma angústia, de leve. Devo passar pelo menos o próximo natal e o próximo aniversário e as próximas duas páscoas e o próximo carnaval e sabe lá Deus quantos mais, sem o bebê por aqui. Embora eu já soubesse disso, é meio chato ouvir a confirmação. Acho que estou decepcionada e frustrada por continuar à deriva. Pela primeira vez, quis chorar. Mas eu sei, né? Tudo vai acontecer no tempo certo.

Abraços. Até mais.

“Cada dia mais perto.”

 

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Não existe devolução – Parte II

Parte II – Sobre o abandono

(Para ler a Parte I – Sobre o amor, clique aqui)

Eu entendo que existem muitos equívocos produzidos pela nossa sociedade. Entendo tudo isso. Mas eu não aceito “devolução de crianças”.

Ouvi em uma palestra por aí, acho que no Encontro do ano passado, que não existe DEVOLUÇÃO de crianças. Existe abandono. Podemos devolver uma roupa, um objeto. Mas filho não se devolve, se abandona. E no caso da criança que foi adotada o que existe é SER ABANDONADA DE NOVO: uma, duas, três vezes.

Uma diretora de um abrigo aqui do Rio uma vez contou uma história de um casal de pais adotivos que devolveram abandonaram a filha com a justificativa de que comia demais.

No jornal certa vez li a história de um menino que foi devolvido abandonado pelo pai depois de alguns anos de convivência porque a mãe havia falecido e ele não queria ter adotado, apenas cedeu ao desejo da esposa.

No grupo de apoio, a coordenadora falou de uma criança que foi devolvida 6 (SEIS!) vezes. E outra, uma menina, que primeiro foi abandonada pela mãe (adotiva) quando se divorciou do marido e levou com ela o filho biológico; depois o marido não aguentou e devolveu abandonou a menina e aí se arrependeu e a pegou de volta e depois… adivinhem? …devolveu abandonou de novo.

E como essas, existem muitas outras histórias que se repetem!

Me pergunto o que acontece com uma ou duas pessoas que passam por médicos, psicólogos, assistentes sociais, juízes, pelo Ministério Público, participam de grupos, assistem palestras, levantam um monte de documentos,  esperam 1, 2, 3, 4 anos… reclamam da espera, da burocracia e  depois abandonam? Onde está o erro? No sistema? Em nós?

Eu nem acho que as pessoas façam isso de maneira arbitrária, por puro capricho. Mas os adultos precisam se responsabilizar pelas escolhas que fazem. As crianças não podem pagar esse preço. Filho não salva casamento, não soluciona nossos problemas, não substitui o luto pela perda de outro filho nem sara a dor da infertilidade.

Os adultos podem se encher de desculpas e justificativas por suas ações. E não estou dizendo que não haja sofrimento, mas não, para mim não há justificativa que baste para o abandono de uma criança. Um filho que você escolheu, porque a decisão de tornar-se pai/mãe por adoção é toda nossa…. Filho biológico às vezes acontece (!), filho por adoção é uma escolha. Arquemos com as consequências.

A consequência legal para a devolução, geralmente é indenização para custear tratamento psicológico para o menor abandonada. Mas será que isso basta? Prevenir é o melhor remédio.

Bem, pessoal, mesmo dividindo em duas partes, o post ficou grande demais. rs. Vou parar por aqui. rs

Abraços!Até breve.

“Cada dia mais perto”

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Não existe devolução – Parte I

Olá, pessoal!

Eu quero falar sobre um assunto um tanto polêmico, por isso resolvi dividir o post para que o assunto não fique incompleto e nem o post longo demais.

Assim, logo de cara, pensar em “devolução” de crianças faz qualquer um sentir repulsa e revolta, especialmente nós que vivemos imersos no mundo da adoção. Meu coração gestante dói demais quando escuto essas histórias. Mas eu sempre gosto de tentar me colocar no lugar do outro, antes de apontar o dedo. Empatia é quase amor! rs

Então vamos falar sobre “devolução”?

***

Parte I – Sobre o amor

Acredito que o vínculo entre mãe/filhx e pai/filhx não se forma por mágica, assim, de um dia pro outro. E isso não é verdade apenas para a maternidade/paternidade adotiva, mas para a biológica também. Hoje em dia está na moda falar sobre Maternidade Real: as novas mamães resolveram quebrar o silêncio e romper com a maternidade idealizada.

Os grupos de apoio à adoção e as equipes técnicas das varas de infância também costumam falar sobre a realidade da maternidade/paternidade adotiva. Não é amor à primeira vista. O amor é construído no dia-a-dia, no convívio, no cuidado.

Mas aí na contramão desse pensamento, tem o já estabelecido senso comum e a mídia com seus comerciais, suas novelas e todo seu sensacionalismo contando as histórias maravilhosas sobre amor de mãe, a emoção do nascimento, o brilho da gravidez e as lindas e emocionantes histórias de adoção. Não me levem a mal. Eu A-MO ouvir as histórias dos encontros por adoção, não me canso. E também todos os dias, eu disse todos os dias da minha vida, eu penso no meu conto de fadas,rs, no meu bebê, na minha maternagem. Mas eu sei que a realidade é muito diferente.E, na real, é para isso que eu estou me preparando.

É preciso tomar muito cuidado com isso, porque é daí que nascem as frustrações. Uma mãe biológica pode se sentir frustrada caso não ame seu recém-nascido com a intensidade que ouviu falar a vida toda. Do mesmo modo, a mãe adotiva pode se frustrar se o amor não chegar no mesmo momento que seu tão esperado filho. Em ambos os casos, o dia-a-dia corrido da maternidade pode lhe fazer questionar o porquê ser tão difícil e tão diferente do que é retratado por aí. As consequências disso são graves e podem culminar na depressão. E no caso da adoção, também na “devolução“.

(continua)

“Cada dia mais perto”